Economia e Desenvolvimento

O que mudou na economia angolana nos dois mandatos do presidente João Lourenço-Discurso sobre o Estado da Nação em 15 de Outubro de 2026

Depois da estabilização macroeconómica, o verdadeiro teste está no emprego formal, na inclusão financeira, na redução da informalidade, no acesso à habitação e na capacidade de transformar crescimento económico em rendimento.

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Claudio Gomes

18 18UTC October, 2026 · 2 min de leitura

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O primeiro mandato de João Manuel Gonçalves Lourenço concentrou-se na estabilização macroeconómica e reforma institucional. O segundo procura transformar essas reformas em diversificação, emprego, inclusão financeira, habitação e melhoria do rendimento. Contudo, a passagem da estabilização para a transformação económica ainda está incompleta. O país dispõe hoje de instrumentos mais estruturados, incluindo o PDN 2023–2027 e a ENIF 2025–2027. Porém, os resultados continuam condicionados por quatro grandes défices:


Défice de emprego formal e produtivo;


Défice habitacional superior a dois milhões de habitações;


Informalidade laboral próxima de quatro quintos do emprego, segundo o indicador de 2025;


Exclusão financeira efectiva de famílias e negócios que, mesmo possuindo contas, não conseguem poupar, assegurar-se ou obter financiamento.


Assim, a avaliação dos dois mandatos revela uma execução assimétrica (houve áreas em que o Governo avançou mais e outras em que avançou menos).


 Mais forte na reforma das instituições e dos instrumentos de política económica, moderada na estabilização, e ainda insuficiente na transformação da vida económica das famílias, na formalização das empresas, na qualidade do emprego e no acesso à habitação e ao financiamento.


O teste definitivo do segundo mandato não será apenas o número de programas executados, contas abertas, casas construídas ou pessoas declaradas como empregadas. Será determinar quantas famílias passaram a ter rendimento estável, quantos negócios informais se tornaram empresas sustentáveis, quantas MPME obtiveram crédito produtivo e quantos cidadãos conseguiram financiar legalmente uma habitação adequada.


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